Cuidado! A “SUA” inflação e a preservação do seu patrimônio.

Cuidado! A “SUA” inflação e a preservação do seu patrimônio.

(Cada pessoa tem a “sua inflação”)

 

                Falando em termos básicos, a inflação consome o poder de compra do nosso patrimônio. Há uma noção generalizada, portanto, de que é importante ganhar de rendimento a própria inflação, digamos 3% ao ano, MAIS alguma coisa. Esta “alguma coisa” que supera a inflação denomina-se juro real.

                Após conceituar a inflação e os juros reais, vamos tratar aqui, com mais detalhes, a “inflação” e a “sua inflação”. A inflação aqui analisada é dada pelo IPCA, que é o índicemais utilizado na vida dos cidadãos, e que, inclusive, corrige os títulos públicos federais acessíveis através do tesouro direto.

O IPCA é uma cesta teórica de consumo, que mede a variação de preços em algumas capitais do Brasil, considerando a cesta de consumo de famílias que ganham entre R$ 937,00 e R$ 37.500,00. Isto mesmo, de 1 a 40 salários mínimos, o que por si já representa uma grande incongruência. O objetivo não é criticar a métrica do IPCA, mas mostrar o quão discrepante pode ser a “sua inflação” de uma inflação medida por este índice.

                A título ilustrativo, vamos mencionar dois fatos. Quem ganha R$ 937,00 por mês provavelmente não contrata educação privada para os filhos ou mesmo um plano de saúde. Logo, a cesta desta pessoa é muito menos impactada pela variação de preços destes dois serviços (educação e plano de saúde). Já no caso de os alimentos subirem muito, quem recebe R$ 937,00 será mais impactado, pois uma maior parte de sua renda é utilizada para compra de alimentos. Percebem?

                Bom, agora que sabemos como e porque cada família/indivíduo tem a “sua inflação”, vamos aos dados. A inflação medida pelo IPCA de Jan/2017 a Dez/2017 está estimada em 3,09%, segundo o boletim do Banco Central publicado no dia 20/11/2017.

Ora, se a inflação estimada para o ano de 2017 fica na casa dos 3%, alguém conseguiria me explicar como houve evolução dos seguintes preços:

O meu plano de saúde variou 13,5%. A minha conta de luz subiu 18%. Pelas minhas contas a gasolina subiu de R$ 3,08 o litro para R$ 3,99, quase 30%. Para quem tem filho(s) em idade escolar, me contem quanto vai subir a mensalidade para 2018!?

                Agora, diante de tudo isto, para quem já tem a cultura de investir em papéis/títulos que pagam a inflação (IPCA) mais “alguma coisa”, CUIDADO! Este pretenso conforto de estar tendo ganho real efetivo pode ser uma inverdade.

                Se você tem um título comprado através do tesouro direto que te paga IPCA + 5%, lembre que você pagará imposto de renda. Como mero exercício, o IPCA sendo  3% e o “alguma coisa” sendo 5%, terás 8%, deduzindo-se os 15% de imposto de renda a remuneração líquida cai para 6,8% ao ano.

                Assim, se a sua cesta de consumo ou a de sua família, ao invés da cesta teórica e bastante ampla medida pelo governo, tiver variado, por exemplo, 7%, você PERDEU O EFETIVO poder de compra de seus investimentos.

 

O Investidor Nordestino vem descobrindo o Tesouro Direto

Até o ano de 2002, o investidor pessoa física acessava os títulos do Governo Federal através de intermediários, representados por instituições financeiras, que compravam estes títulos do Governo e os distribuíam às pessoas físicas através de cotas de fundos. Claro, havia um bom custo de intermediação, que se tornava receita para as instituições financeiras.

No ano de 2002, em parceria com a BM&F Bovespa (Atual B3), o Tesouro Nacional criou o programa chamado de Tesouro Direto, que consiste em dar acesso aos investidores pessoa física, através da internet, à compra e venda de títulos da dívida pública federal.

Este programa criou um relacionamento quase que direto do investidor com o Tesouro Nacional, inclusive porque há a necessidade de se ter uma conta em uma corretora de valores. Apesar desta exigência, o programa apresenta-se de forma extremamente vantajosa quando comparado com a forma indireta de compra, vigente até 2002.

 

O Cenário Atual

Nos últimos 12 meses, de maio 2016 a maio 2017, a quantidade de investidores ativos cadastrados na base do Tesouro Direto que são moradores da região nordeste do país cresceu 94%. Ou seja, em maio de 2016, havia 23.380 investidores, já em maio deste ano tínhamos 45.342. A concentração no eixo Sul-Sudeste ainda é brutal, estas duas regiões juntas representam 81% da base de investidores cadastrados, sendo 66,6% para o sudeste e 14,4% representados pelos moradores da região sul do país.

Apesar das enormes vantagens trazidas ao investidor pelo programa, ainda há pouca representatividade quando comparamos ao total da população. O programa contava com 493.000 investidores ativos em maio de 2017. Para um contingente populacional de 210 milhões de brasileiros, há apenas 0,23% da população brasileira ativa no Tesouro Direto. Já o mesmo indicador para a população do Nordeste é de minúsculos 0,08%.

Ao contrário do que pode pensar a maior parte população, o Tesouro Direto não é exclusivo aos que tem grandes fortunas. A partir de pouco mais de R$ 30,00 reais já é possível aplicar. O segredo fica na escolha da corretora de valores, já que algumas cobram, outras não. O custo do investimento, em uma corretora que não cobra, é de 0,3% ao ano sobre o total do valor investido, pagos à B3, já em uma corretora que cobra, seriam os 0,3% ao ano à B3, adicionado ao percentual cobrado pela corretora.

Planejamento financeiro é fundamental na hora de sair da casa dos pais

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Ter uma organização do orçamento é importante para assumir as responsabilidades

Fonte: ZAP em Casa Autor ZAP em Casa

 

Vontade de ter mais liberdade, de ter o seu espaço e de querer tocar a vida de forma mais independente não são os únicos fatores que devem ser levados em consideração na hora de sair da casa dos pais. Além disso, é preciso ter um planejamento financeiro para assumir as responsabilidades para que as demandas caibam dentro do orçamento. Afinal de contas, ninguém vai sair da casa dos pais pensando em voltar no primeiro aperto financeiro. Portanto, é preciso ficar bastante atento aos futuros gastos e ter um planejamento financeiro antes de ter a sua própria casa.

 

 

No Brasil, é crescente o percentual de jovens entre 25 e 34 anos que continuam vivendo na casa dos pais. Para o planejador financeiro Paulo Marostica, em muitos casos, um dos fatores para a saída mais tardia é a questão do padrão de vida. “O brasileiro de classe média e classe média alta só quer sair da casa dos pais quando tem condições de ter o mesmo padrão de vida que os pais podem dar. O detalhe é que ele esquece que os pais estão em uma velocidade da carreira de 20 a 30 anos, enquanto os filhos querem ter isso logo”, afirma.

 

Ele cita o exemplo que um jovem sai do ensino médio e vai trabalhar ganhando um salário mínimo mais benefício aos 18 anos e, se decide morar sozinho, provavelmente não vai conseguir morar em um bairro na mesma localização e no mesmo padrão que os pais. “Mesmo que ele alugue um apartamento mais barato, por R$ 1000, por exemplo, e resolva dividir com mais dois amigos, vai gastar metade do seu orçamento apenas no aluguel. Ou seja, essa estrutura o leva a ficar mais tempo na casa dos pais”, esclarece Paulo Marostica.

 

Porém, em alguns casos, o planejador financeiro aconselha a permanência por mais tempo na casa dos pais, principalmente no que diz respeito a fazer uma reserva financeira antes de se mudar para sua própria casa. “Se as relações pessoais e exigências de comportamento dos pais cabem no estilo de vida a que o jovem se propõe, é bom que ele fique o tempo suficiente para poupar o máximo possível para ter uma estrutura financeira melhor na hora de alçar o próprio voo”, sugere.
Porém, se chegou a hora de deixar a casa dos pais, alguns cuidados são necessários. “Primeiro é preciso poder para depois querer”, alerta o planejador financeiro. Ele afirma que, neste estágio inicial da vida, muitas vezes é melhor pagar um aluguel do que se comprometer a comprar um imóvel. “A carreira profissional não está totalmente estável ainda e pode surgir uma oportunidade melhor de emprego em outra cidade. Para comprar um imóvel e vender depois, ele vai deixar entre 5% e 6% na mesa. É melhor, neste caso, pagar um aluguel e investir em títulos, que vão render e, mais tarde, eles serão vendidos para comprar um imóvel mais definitivo”, explica.

 

Ter estabilidade profissional também é importante. “Não na questão de ter um emprego estável em determinada empresa, mas de ter segurança profissional na profissão de uma forma geral para garantir uma maturidade de renda para arcar as despesas sem afetar a capacidade de poupança”, afirma Marostica. Além disso, em muitos casos, a saída da casa dos pais está atrelada à ideia de formar uma família. “Neste caso, é bom porque porque a pessoa pode compor a renda com o companheiro, ou seja, vai poder dividir as despesas”, completa.

 

Por fim, é preciso fazer um balanço de gastos, colocar tudo na ponta do papel para entender se as contas cabem no orçamento. “Tem que colocar todos os gastos: telecomunicação, condomínio, alimentação, faxina, aluguel ou prestação são alguns exemplos dos gastos que serão assumidos”, detalha o planejador financeiro. Ele afirma que nesta idade não é hora de se preocupar com conforto, mas sim em ter uma poupança. “Na hora de sair da casa dos pais, a pessoa vai assumir um monte de despesas e atitudes no dia a dia podem ajudar a economizar. A ideia é não ficar na base da preguiça, por exemplo. Se tem um estacionamento de R$ 10 ou você pode estacionar de graça e caminhar 50 metros, escolha a segunda opção. São pequenas despesas no dia a dia que podem fazer a diferença no orçamento no fim do mês”, diz.

 

Outras atitudes simples podem fazer com que os gastos sejam menores e se adequem melhor ao bolso. “As empresas oferecem possibilidades inteligentes de combos, como internet mais televisão a cabo. No caso de um casal, eles podem avaliar se é preciso ter dois carros. É preciso avaliar o que vai comprar no supermercado ou se vai comer mais fora para não gastar sem necessidade”, complementa Paulo Marostica.

Cinco dicas para quem pretende sair da casa dos pais:

– Coloque no papel todos os futuros gastos, seja com aluguel, prestação, contas de energia, água, gás e telefonia, além de uma previsão de gastos com supermercado, faxina e saídas para ver se a mudança é viável;

– Considere gastos iniciais para a mudança e para a estrutura da nova casa, como móveis, eletrodomésticos e utensílios;

– Caso o orçamento vá ficar muito apertado, cogite dividir o apartamento com outra pessoa e, assim, dividir os gastos também;

– Encontre um imóvel que caiba no seu bolso, seja o aluguel ou o valor da prestação;

– Antes de se mudar, faça uma reserva financeira para não ser pego desprevenido e precisar voltar para a casa dos pais no primeiro imprevisto;

Planejador Financeiro: carreira em ascensão no Brasil

Crescimento Planejadores

 

Uma profissão ainda nova no Brasil e pouco conhecida é a do Planejador Financeiro, multiespecialista com conhecimento sobre os diferentes instrumentos financeiros disponíveis no mercado de capitais, seguros, previdência pública e privada, tributação, entre outros. No Brasil, existem hoje cerca de três mil planejadores financeiros credenciados pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros, que fornece o CFP (Certified Financial Planner), certificação internacional que habilita o profissional, já que a carreira ainda não é regulamentada por lei. Nos EUA, no entanto, a carreira já é mais popular, somando mais de 75 mil profissionais CFP atuantes.

 

“No Brasil, cerca de apenas 20% trabalha de forma independente. A maioria está dentro dos bancos atendendo às grandes contas. Mas com a digitalização de diversos serviços bancários, bem como a consolidação/fusão entre bancos, muitos profissionais estão considerando atuar por conta própria, de forma independente. Para se ter uma ideia, nos últimos 10 anos, o número de planejadores certificados cresceu cerca de 1.500% no Brasil”, explica Paulo Marostica, embaixador na região Norte/Nordeste da Planejar.

 

Um planejador financeiro pode ter formações diversas, seja em Economia, Contábeis, Administração, Engenharia e até mesmo Psicologia. Ou seja, é preciso ter habilidade para números, mas também saber lidar com o “fator humano”. “Isto porque o profissional, ao elaborar um planejamento financeiro individual ou familiar, precisa considerar fatores mais abrangentes sobre a vida do cliente, e não apenas coletar seus dados financeiros. É preciso entender seus hábitos, sua personalidade, modo de vida, histórico da família, situação financeira dos filhos, entre outros aspectos”, afirma Paulo Marostica.

 

Com este diagnóstico em mãos, o planejador pode orientar o cliente a organizar suas finanças, pode ajudar a identificar oportunidades de aumento de ganhos e diminuição de despesas e desenvolver uma estratégia de investimentos. Ou seja, o planejador financeiro ajuda o cliente a pensar nos seus objetivos futuros e em como alcançá-los. Além disso, o profissional pode atuar, ainda, em palestras de conscientização financeira para empresas e grupos ou em cursos de educação financeira sob medida.

 

CFP Para conquistar o Certified Financial Planner, o profissional precisa passar por uma série de avaliações, divididas em seis módulos. Planejamento financeiro e ética, gestão de ativos e investimentos, planejamento de aposentadoria, planejamento de riscos e seguros e planejamento fiscal estão entre os temas que o candidato precisa dominar para receber a certificação. O processo completo pode durar até um ano e meio para ser finalizado, a depender da disponibilidade do candidato em realizar as avaliações.

IPTU e IPVA, pagar à vista ou parcelado?

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O Carnaval está chegando e o mês de fevereiro traz consigo algumas obrigações que os brasileiros conhecem muito bem.

 

Dentro de poucos dias estaremos pagando compulsoriamente o IPTU e o IPVA. O IPTU, Imposto Predial Territorial Urbano, é de cunho municipal. Já o IPVA, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, é de competência estadual.

 

O fato de que pagamos impostos e não recebemos do estado o equivalente em serviços é sempre muito recorrente nas conversas informais, entretanto, apesar das reclamações do não cumprimento dos deveres do estado, boa parte da população que pode pagar estes impostos ousa não pagá-los.

 

Diante da obrigação que se impõe, e da opção dada pelas administrações estaduais e municipais, vale a pena pagar à vista ou parcelar?

 

Diferente do que pensa boa parte da população, não é uma conta simples. Intuitivamente, somamos todas as parcelas e depois dividimos esta soma pelo valor total à vista para chegamos em um percentual que julgamos ser o desconto que se ganharia ao optar pelo pagamento em uma única vez.

No entanto, a conta é um pouco mais complexa. Como não é objetivo deste post explicar os meandros da matemática financeira, segue link para uma calculadora simples, desenvolvida pelo Prof. Samy Dana em parceria com a Rede Globo, que tenho certeza será de grande valia aos leitores.

LINK PARA A CALCULADORA:

http://especiais.g1.globo.com/economia/2017/calculadora-ipva-e-iptu/

Me ofereceram um consórcio. E aí, vale a pena?

 

A exemplo de tudo que nos é oferecido em matéria de produtos financeiros, não existe almoço grátis! Portanto, ao nos depararmos com um consórcio, teremos sempre prós e contras. Vamos aqui explorar algumas situações sobre o porquê de contratar ou não um consórcio.

Um consórcio é uma “poupança” coletiva, na qual diversas pessoas pagam mensalmente suas parcelas para, ao final, receber o montante corrigido ou a carta de crédito a para compra de um determinado bem móvel ou imóvel. As parcelas pagas pelos consorciados, aqueles que aderiram ao consórcio,têm basicamente 4 destinos:

  • 1- Uma parte é utilizada para remunerar o administrador do consórcio, chamada taxa de administração;

 

  • 2- Outra parte é reservada para pagar antecipadamente um consorciado sortudo, que irá receber, se sorteado, todo o valor ou equivalente ao bem hoje, e continuará pagando as suas parcelas até o final;

 

  • 3- Uma fração ficará à disposição para contemplar os consorciados que optarem por dar um lance. Na prática, funciona como se um consorciado adiantasse várias parcelas e aqueles com mais parcelas adiantadas recebem o valor equivalente ao bem hoje.

 

  • 4- Por fim, o maior pedaço fica para o final das parcelas. Quem não foi sorteado ou não teve seu lance contemplado poderá receber, ao final da quitação das parcelas, o equivalente ao valor do bem já corrigido.

 

Com as noções básicas de um consórcio já explicadas, vamos ao que interessa:

O primeiro ponto é a taxa de administração. O STJ estabeleceu, em 2006, que o limite não pode ser superior a 12% do valor do bem. Logo, quanto menor a taxa de administração, melhor.

Dada uma taxa de administração civilizada(na minha opinião, menor que 3%), o consórcio valerá a pena em duas hipóteses: sendo você uma pessoa sortuda que será sorteada logo no início (é difícil), ou, pensando mais racionalmente, tendo você cerca de 50% do valor do bem para ofertar um lance (50% pode ser pouco a depender do tipo de consórcio, mas, na média, é o suficiente).

Assim, se não formos contar com a sorte, o que aconselho, e formos contar com dinheiro no bolso para darmos um lance, a lógica é simples. Caso contemplado, por ter dado um lance de, digamos, 50% do valor do bem, você receberia 100% de seu valor hoje e pagaria só 30 parcelas ao invés das 60 que faltam. O bem, entretanto, ficaria alienado, isto é, em nome da instituição até que você pague as 30 parcelas restantes.

Portanto, se a taxa de administração for alta e/ou você não tiver interesse ou disponibilidade para ofertar um lance, dificilmente o raciocínio financeiro indicaria a participação em um consórcio.

Já para aqueles poupadores indisciplinados, que conseguem poupar apenas com boletos para pagar, o consórcio sana este problema. O grande detalhe é a que custo estamos sanando a nossa indisciplina financeira. Para sanar esta indisciplina pode valer mais a pena abrir conta em corretoras, que são exclusivas para investimentos. Abrir a conta em uma corretora de valores e aplicar os recursos pode reduzir a tentação de se gastar o montante “parado” na conta corrente do banco.

Corte nos juros traz oportunidades de investimento em 2017

Corte de juros

O fator mais interessante a se considerar neste ano que acaba de começar é que as taxas de juros devem cair consideravelmente. A inflação já emite sinais de arrefecimento e, com as taxas de juros se mantendo elevadas, a capacidade financeira do Estado brasileiro em honrar suas dívidas e fazer investimentos pode ser ainda mais prejudicada.

 

Boa parte dos investidores até já deve ter a noção de que os juros vão cair, mas daí surge a dúvida: é preciso tomar alguma atitude? O investidor comum – ou mal assessorado – pode perceber este movimento tardiamente, perdendo assim a “virada de chave” do mercado.

 

Para ilustrar, a maior parte dos fundos de renda fixa no Brasil deve ter rendido algo entre 11% e 14% em 2016, trazendo ao investidor um ganho real (descontando a inflação) que pode variar entre 4% e 7%. Entretanto, este ganho deve ser menor em 2017. Para o investidor que faz poupança de longo prazo, pensando em uma aposentadoria confortável, há uma oportunidade de aplicar o dinheiro de forma a ter melhores retornos e manter esse rendimento atual mais alto por alguns anos, mesmo com a queda das taxas. Mas como?

 

A resposta é simples: investindo no Tesouro Direto. Para exemplificar as vantagens, podemos analisar as taxas que foram pactuadas no último dia 04 de janeiro. O retorno será dado pela reposição do IPCA (inflação) adicionado de 5,73%. Este é o valor bruto, pois ainda incidirão impostos entre 15% e 22,5% sobre os rendimentos, de acordo com o tempo que o recurso ficou investido. Quanto mais o dinheiro ficar investido, menor será o imposto.

 

O valor alocado nestes títulos pode ser sacado pelo investidor a qualquer momento, mas é preciso ter atenção. Para garantir o montante pactuado, é necessário aguardar o vencimento do título. Caso o investidor decida sacar antes, pode ganhar bem mais, em um cenário de queda de juros. Recomenda-se, nesses casos, consultar um profissional especialista em investimentos.

 

Voltando aos fundos, em se tratando daqueles de renda fixa, estes investem quase 80% dos recursos captados de investidores como você no mesmíssimo Tesouro Direto, mas com uma sutil diferença: eles cobram uma taxa de administração para este “serviço”. Por isso, muitas vezes é melhor buscar conhecer as opções de investimento e tomar as rédeas do próprio dinheiro, tendo em vista as oportunidades que o redesenho das taxas de juros pode criar para 2017.

 

Paulo Marostica, planejador financeiro, embaixador na região N/NE da Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

Deixando menos dinheiro na mesa – Parte 2

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Pessoal, agora que já vimos definições, aprendemos em linhas gerais os tipos de investimento e como raciocinam os bancos no mercado financeiro, vamos falar um pouco sobre Tesouro Direto. (Vale ler o post anterior)

Lembram do conceito de Spread? As diferenças que os bancos ganham quando pegam emprestado a 11% e emprestam a 14%?

Bom, o Tesouro Direto é a mais eficiente forma de você ficar com este Spread, sem ter que dividi-lo com ninguém! Já pensou?

Pois é! O Tesouro Direto é um programa de compra e venda de títulos públicos “DIRETO” com o Governo Federal. Ou seja, eliminamos o intermediário!

E isso é seguro?

Podemos afirmar que, se o Governo Federal não conseguir honrar seus títulos, isto é, sua dívida, os bancos operando em território brasileiro dificilmente conseguirão honrar os depósitos e CDBs que você possui nele. Isso porque os bancos têm muito dinheiro emprestado ao Governo Federal, o que geraria o famoso efeito dominó.

Há bastantes detalhes que por questões de absorção de conteúdo não fomos capazes de mencionar nestes 3 artigos. Entretanto, esperamos ter sido capazes de passar uma visão macro, porém necessária, a todos os investidores iniciantes.

Quaisquer dúvidas, paulo@paulomarostica.com .

Recomendo consultarem:

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto

http://www.planejar.org.br/educacao-continuada/artigos/

http://www.vidaedinheiro.gov.br/

http://pensologoinvisto.cvm.gov.br/

http://www.portaldoinvestidor.gov.br/

Deixando menos dinheiro na mesa – Parte 1

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Agora que já sabemos os conceitos e como raciocinam os bancos, vamos falar da relação entre as taxas (importante ler o post anterior, clique aqui).

Bom, os bancos então podem emprestar recursos ao Governo, a outros bancos e a você.

Quando o Governo Federal reduz a SELIC, dizemos que o dinheiro fica mais barato. O governo está pagando menos pelo empréstimo tomado por ele, logo os bancos também irão oferecer entre si, através do CDI, dinheiro a uma menor remuneração. E, por último, você cliente será impactado, pois pagará menos pelos seus recursos também.

Então, percebam que os bancos emprestam entre si através do CDI. O CDI é sempre muito próximo à SELIC, pois o bancos entendem que o risco de se emprestar a outro banco é quase o mesmo de se emprestar ao Governo. Mas… Atenção para este “mas”…

Quando o banco te empresta ele “nunca” (ou quase nunca) vai te pagar 100% do CDI, ou seja,  normalmente o seu CDB será um determinado percentual do CDI inferior a 100%. Em alguns casos 72%, em outros 80%. Se este percentual for abaixo de 100%, isso significa que é mais barato pegar emprestado com você do que com o banco concorrente.

Assim, ao invés de o banco te pagar os 14%, que é aproximadamente o que ele paga ao tomar de outro banco, vai te pagar 11%, por exemplo.

Logo, fica a lição: na hora de investir em CDB fique atento ao percentual em relação ao CDI estão te oferecendo.

Mais no próximo post, Deixando menos dinheiro na mesa – Parte 2.

CDB? CDI? e Taxa Selic?

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Pessoal,

Já ouviram falar de CDB? CDI? E Taxa SELIC?

O que estas taxas têm a ver entre si?

Pra facilitar o entendimento vou dividir o assunto em 3 posts.

Um sobre definições. Outro sobre como pensam os bancos e o último sobre tesouro direto.

Então, primeiro, as definições iniciais:

O CDB significa Certificado de Depósito Bancário, e é o instrumento utilizado pelos bancos quando tomam dinheiro emprestado, ou seja, o cliente entrega o dinheiro para o banco e o banco entrega um CDB, que nada mais é que um certificado, para o cliente.

O CDI é o Certificado de Depósito Interbancário ou Interfinanceiro, e tem a mesma mecânica do CDB, mas, aqui, é um banco emprestando para outro banco.

A SELIC por sua vez, é utilizada pelo Governo Federal como instrumento de política monetária e serve também como referência para corrigir a dívida do governo com os seus credores.

Outra definição importante é a de cliente tomador X cliente poupador.

Cliente tomador: aquele que toma empréstimos.

Cliente poupador: aquele que tem depósitos ou aplicações em bancos.

Ok, conceitos iniciais dados. Vamos agora explicar como os bancos raciocinam:

Bom, o Governo Federal é o maior devedor do país, e é também considerado o melhor pagador, portanto mais seguro para quem empresta.  Então, para continuar, vamos pensar como um banco relacionando-se com um cliente tomador!

Ora, se eu, banco, empresto para o Governo Federal e ganho 14% em um ano, com um risco mais baixo, já que Governo é bom pagador, quando eu for emprestar para um cliente cujo histórico conheço bem menos que o do Governo, é natural que eu queira 14% ao ano somado a outro percentual, 2%, 5%, 10%… a depender de quem seja.

Ainda na visão do banco, mas agora mostrando o lado de cliente poupador, que vai emprestar estes recursos ao banco:

Neste caso, eu, banco, ao emprestar ao Governo Federal com ganhos de 14% em um ano, dificilmente vou remunerar um cliente aos mesmos 14% anualmente, pois já consigo isto do Governo Federal, ou com outros bancos concorrentes. Assim, o banco vai tomar seus recursos apenas, quase sempre que puder pagar abaixo de 14%.

Estas diferenças acima e abaixo de 14%, quando o banco empresta ou toma emprestado, são chamadas de spread bancário.

Mais no próximo post.