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A “desbancarização” dos investimentos e a transparência

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A maior corretora de investimentos do país teve, dias atrás, praticamente 50% da sua participação societária vendida por R$ 5,7 bilhões a uma das maiores e mais tradicionais instituições financeiras do cone sul. A XP investimentos, com cerca de R$ 80 bilhões sob custódia, é a maior do mercado, e vinha em uma cruzada em prol do movimento de “desbancarização”, que consiste em fazer aplicações financeiras através de outros meios que não em bancos.

A desbancarização é vendida pelas corretoras como a opção menos onerosa, além de oferecer ao investidor uma plataforma “multimarca”, isto é, podemos encontrar entre as opções oferecidas pelas corretoras, investimentos de diversos tipos, riscos e emissores dos papeis para investimentos.

De fato, os custos operacionais reduzidos em relação aos bancos, bem como um grau mais elevado de independência, permite às corretoras oferecer taxas mais benéficas ao investidor. O detalhe, porém, reside no fato de vivermos um período no qual a evidência das corretoras ter vindo em velocidade infinitamente superior à educação ao investidor para tamanha oferta de produtos em formato de assessoria e/ou self-service. No modelo bancário tradicional, o gerente de contas é a grande figura a auxiliar o poupador a eleger as soluções/produtos para seus investimentos.

Já no modelo das corretoras independentes, há a figura do agente de investimentos. Na hipótese do cliente possuir maior entendimento acerca de produtos financeiros, este pode optar por escolher os próprios produtos, quando não, pode contar com o auxílio da instituição.

Não há como negar, a exemplo do que ocorre em outros segmentos, haver uma discrepância de informações/conhecimento entre quem compra e quem vende determinado produto. Em se tratando de produtos financeiros, nos quais as variações de regra, tributação, liquidez e risco são quase infinitas, mais ainda.

É neste cenário que surge o profissional independente, aquele sem vínculo com instituições financeiras, e que portanto não recebe nenhuma contra partida das instituições financeiras ao oferecer/indicar soluções aos seus clientes. Em países mais desenvolvidos, a exemplo dos EUA, profissionais certificados precisam dar transparência ao cliente, determinando se serão remunerados exclusivamente por eles, pelas instituições ou empresas do ramo financeiro ou, em último caso, pelos dois.

Não se trata de afirmar que um modelo é superior ao outro. Em verdade, cabe a cada cliente buscar o modelo que lhe inspire mais segurança e melhor atenda às suas necessidades. O bom profissional, de qualquer setor, independentemente da forma como cobra, deve agir sempre de forma ética e transparente com o seu cliente.